domingo, 10 de dezembro de 2017

Olhar Histórico



Considerando o país escravocrata em que vivemos, tendo consciência plena de que todo nosso país foi construído por mãos e sangue de negros e negras que foram escravizados, gostaria de nessa minha analise histórica que perpassa pela historia do bairro do Garcia, coloca-los no exercício da reflexão que nos trouxe uma moradora, Rosalina dos Santos Cardoso, 45 anos, diretora do “Conselho de Segurança da Polícia Militar para o Garcia”. Ela diz assim: "a comunidade se formou por iniciativa dos trabalhadores da fazenda. Os patrões construíam casas para os empregados morarem, onde hoje fica o fim de linha do bairro. Aos poucos esses empregados foram formando famílias e construindo novas casas, e a região foi crescendo”.É preciso analisar como o bairro foi se construindo geograficamente, historicamente e antropologicamente, podemos ver sempre pessoas trabalhando na fazenda para manter o grande império, sem autonomia e sem liberdade.
O bairro do Garcia nasce então no finalzinho do século XVI, quando se consolida a Fazenda Garcia D’Ávila, um dos maiores latifúndios do Brasil, a fazenda pertencia ao Conde Garcia D’Ávila, senhor da Casa da Torre, que criava gados, possui muitos escravos no local construindo suas riquezas, enquanto não eram vendidos a outros senhores, o que hoje chamamos de Fazenda Garcia. 








(Fonte: Imagem retirada do site alinogarcia)
Pavimentação da Ladeira do Garcia 


Depois a terra passou ao Mosteiro de São Bento, em seguida para o Coronel Duarte da Costa e, por fim, para a União Progresso Fabril da Bahia (propriedade da família Catharino). A falência econômica da União Fabril, no início do século XX, a família Catharino, perdeu o todo o patrimônio imobiliário. Em 1938, o espaço foi tombado como patrimônio histórico e comprado pela missão presbiteriana norte-americana, passando a abrigar o Colégio Dois de Julho (hoje Fundação Dois de Julho – entidade mantenedora do colégio e da faculdade). A tradição religiosa no ensino já existia no bairro com a construção pelos jesuítas do Colégio Antônio Vieira, em terra adquirida da Fazenda Garcia, em 1932. Hoje, há ainda outras instituições de educação, com tradição religiosa, como o Colégio Sacramentinas.A partir daí, pequenos pedaços da fazenda foram sendo arrendadas para aqueles que trabalhavam no local e para os migrantes que procuravam oportunidades de emprego em Salvador. Foi o início da consolidação do novo bairro, que viu surgir, junto com a nova população, empreendimentos educacionais voltados para os filhos da classe média da cidade. 





(Fonte: Imagem retirada do site alinogarcia)
Arcos


Do outro lado do bairro, as marcas atuais são religiosas, e as casas, hoje, se misturam com prédios. Foi na Avenida Leovigildo Filgueiras que, no final do século XVIII, construiu-se o solar que abrigou o 8º Conde dos Arcos, dom Marcos de Noronha Brito, último vice-rei do Brasil. Ele foi governador da Capitania da Bahia de 1810 a 1817. Quando transferido para o Rio de Janeiro, em 1818, construiu um casarão nos padrões do Solar Conde dos Arcos da Bahia.


Próximo à Fundação Dois de Julho, há o parque da Arquidiocese de São Salvador – construção do século XIX que guarda riquezas arquitetônicas. Este funcionou como o Asilo Conde de Pereira Marinho e por muitos anos foi ocupado pelas Dorotéias. Ele não é tombado pelo patrimônio histórico. No entanto, a atual reforma busca preservar todas as características originais. No bairro, há representações de outras religiões. A Igreja Matriz Nossa Senhora de Lourdes fica no final de linha. Antes, era uma capela, construída em 1906.

6 comentários:

  1. Quanta riqueza cultural em um pedaço de Salvador. Religiosidade, arquitetura, o povoamento que se modifica ao longo do tempo. De fato, condiz com seu post apresentação, quando entendemos de onde viemos, passamos a saber como e para onde devemos e podemos ir!

    ResponderExcluir
  2. Este importante bairro merecia ter sua historia tao bem contada. Parabens pelo otimo trab de pesquisa.

    ResponderExcluir
  3. Que trabalho primoroso! Muito importante que haja uma valorização histórica patrimonial e cultural regional feita com o cuidado e detalhamento presentes nesse trabalho de pesquisa. É necessário que haja cada vez mais o resgate de memórias que são posta
    s de lado, muita vezes propositalmente, pela historiografia brasileira e é possível perceber que isso é ainda mas forte quando há a forte presença do corpo negro africano ou nascido em território brasileiro. Resgates como esse são importantes para a construção de história feita por quem realmente a protagonizou.

    ResponderExcluir
  4. Que lindeza! Amo os relatos de quem vivenciou a cidade desde a sua construção. Para a comunicação isso é muito importante. Esse resgate de forma clara e explicativa da história é essencial para seguirmos contanto a nossa história sem as manobras da grande mídia de massa. Parabéns! Vida longa ao blog!

    ResponderExcluir
  5. Parabéns! !! que riqueza de informações, obrigada por compartilhar.

    ResponderExcluir

Garcia em destaque cultural

Conheça a história do bairro do Garcia, em Salvador. Salvador em bairros: Garcia registra forte marca cultural.